quarta-feira, 22 de agosto de 2007

PRAIEIROS X GABIRUS (REVOLUÇÃO PRAIEIRA)

Segui o conselho de Chico Science e fui lembrando a "Revolução". Como sabemos a Revolta Praieira ou Revolução Praieira, foi a ultima manifestação do período em que conhecemos como “rebeliões províncias”. Durante o final do período regencial e começo do 2º reinado eclodiu em Pernambuco uma revolta batizada de Revolução Praieira, que inspirada nos ideais franceses de revolução, pregava a Liberdade, Igualdade e "Solidariedade". A principio foi uma manifestação pernambucana, porém durante o período em que se concretizou alcançou outros estados nordestinos, como Paraíba, Rio Grande do Norte e outros. Foi uma revolta de caráter nacionalista, patriótico. Seus revoltosos a principio se queixavam da não autonomia da província, tendo que ceder todas as riquezas à corte, condenava o sistema de monarquia, queriam os revoltosos, com a republica a tão sonhada independência financeira. Foi um movimento também de caráter popular, pois condenava o latifúndio, que nada mais é que uma grande quantidade de terras nos domínios de uma só pessoa ou de uma só família. Um de seus objetivos era combater o latifúndio exercido pelo grupo dos “Gabirus” que não por coincidência eram ligados ao partido conservador. A revolta é muito influenciada pela Revolução Francesa e começa com o declínio da economia açucareira da região de Pernambuco e só tem o estopim dessa revolta com a troca do presidente liberal da província Antônio Pinto por um presidente conservador. Os rebeldes tinham como plano alterar a constituição brasileira de 1824, dando assim mais liberdade de imprensa, como também o fim do cargo vitalício de senador e a extinção do 4º poder, o poder moderador, onde o rei tinha poder sobre todos os outros 3 poderes. No mês de Abril de 1848, os praieiros, como eram chamados os revoltosos, se uniram na rua da Praia, através do jornal Diário Novo e condenaram o ato da troca do presidente da província pernambucana. A revolta tomou corpo e entrou em conflito pela primeira vez na cidade de Olinda-PE em 7 de novembro de 1848, sobre a liderança de José Inácio de Abreu e Lima, Pedro Ivo Veloso da Silveira, Joaquim Nunes Machado e Antônio Borges da Fonseca. O então presidente Herculano Ferreira foi afastado e o movimento espalhou-se rapidamente por toda a Zona da Mata pernambucana. Sua 1ª batalha foi travada na cidade que hoje é conhecida como Abreu e Lima, na época chamada de Maricota. No ano de 1º de Janeiro de 1849, é lançado por Borges da Fonseca um manifesto intitulado “Manifesto ao Mundo”, onde havia algumas reivindicações como: o voto livre para todos os brasileiros, a liberdade de imprensa de publicar o que bem entendesse, a extinção do sistema de recrutamento e o fim imediato do quarto poder. Uma coisa que é interessante frisar é a de que apesar de seu cunho liberal e reivindicar reformas políticas e sociais, não vemos nenhum artigo do manifesto em que cita o fim da escravidão! Depois de receber a adesão da população da área urbana que vivia em extrema pobreza, pequenos arrendatários, boiadeiros, mascates e negros libertos, os praieiros marcharam sobre a cidade do Recife em fevereiro de 1949 com quase 2.500 combatentes, dispostos a darem suas vidas por futuros dias melhores. Porém as forças rebeldes foram derrotadas nos combates de Água Preta e de Iguaraçu. Com o fim da Praieira no início de 1850, iniciou-se a segunda fase do 2º reinado, um período de tranqüilidade e de prosperidade trazida pelo café. Vale lembrar de que apesar da a revolução ter sido liderada por liberais, ela ainda não tinha caráter essencialmente republicano: apenas alguns de seus participantes apoiavam a proclamação da República, ficando assim a revolução como um tipo de protesto contra a política que reinava na colônia. O que vejo é que apesar de não ter ido muito longe com seus ideais, os praieiros deram um passo importante, afinal, questionar e tentar mudar lutando pra isso, prova que não deve só se ter a teoria e sim, a teoria trabalhando paralelamente com a pratica pode se chegar a algum lugar, com êxito a curto ou longo período, mas se chega.